FONTE: ON LINE VALOR
Célia Rosemblum, de Nova York
07/11/2008
Para o CEO da General Electric(GE), Jeffrey Immelt, daqui para
frente, tudo será diferente. "Essa crise econômica não representa
um ciclo, mas uma reorganização", afirmou. Em um período de seis a
nove meses, segundo estima, as noções de poder e riqueza das
nações "vão mudar muito".
Figura freqüente nas listas de melhores CEOs do mundo, Immelt
acredita que aqueles que não entenderem o atual momento de
"reorganização emocional, social e econômica" têm poucas chances
de ver seus negócios vingarem no futuro. E o futuro, para ele, vai
proporcionar mais condições de competitividade para negócios nas
áreas de energia, saúde, educação e serviços financeiros que
promovam a inovação.
Ao falar ontem em Nova York para os executivos que participam da
Conferência BSR - Business Social Responsibility, encontro anual
sobre responsabilidade social corporativa, Immelt previu também uma
revisão significativa das relações entre o governo e o mundo
corporativo.
Ao longo de duas décadas, de 1980 a 2000, houve pouca interação
entre esses dois setores. Mas agora, a tendência é que a
colaboração cresça e ajude a fazer frente a problemas de grande
porte, como o acesso a saúde. De forma complementar, a crise
financeira aponta para um ambiente de maior regulação.
O momento aponta também para a valorização da transparência, da
prestação de contas e da responsabilidade das companhias. "O quadro
é muito diferente do que era há seis meses". Há um semestre, por
exemplo, Immelt identificava um certo "descolamento" de algumas
economias, como as da China e da Índia. Mas hoje, tanto pelo impacto
da crise financeira como por conta da vulnerabilidade em relação a
recursos naturais, ele não vê perspectivas que não sejam globais na
gestão de negócios.
Uma das tarefas que o CEO da General Electric considera essencial no
curto prazo é quase uma reedição do slogan da campanha eleitoral de
Luiz Inácio Lula da Silva para seu primeiro mandato: "transformação
do medo em esperança". A partir da crise, as empresas irão aprender
a competir no futuro. E precisam apostar nisso.
O comprometimento dos negócios com sua competitividade e
lucratividade, segundo Immelt, transparece em uma "dedicação de
longo prazo". Para ele, no caso da GE, isso se traduz atualmente em,
por exemplo, o compromisso de manter investimentos de US$ 6 bilhões
em pesquisa e desenvolvimento na recessão (sendo US$ 4 bilhões
especificamente para tecnologia), continuidade no processo de
globalização, e apoio à inovação e aos consumidores.
À frente de um negócio global e multifacetado que envolve 327 mil
funcionários e somou US$ 173 bilhões de faturamento no último
exercício, Immelt orgulha-se do rating AAA da companhia. E trabalha
alinhado a seus discursos. Em julho a GE anunciou uma reestruturação
de seus negócios para manter o foco no crescimento. A nova estrutura
vai reduzir o número de unidades de negócios de seis para quatro,
preservando as de tecnologia, infra-estrutura, de energia e a GE
Capital. A NBC Universal segue sem mudanças .
O executivo diz que agora, mais do que nunca, é hora de pensar
grande, abrir fronteiras e expandir a visão. Como dez entre dez gurus
da gestão corporativa, Immelt vê na crise a oportunidade. Para ele,
os americanos acharam em sua visão de história econômica - a dos
"os fazendeiros que se transformaram em industriais e que migraram
para a área de serviços" - um explicação convincente para várias
condutas e erros. Hoje, não há espaço para isso: é preciso olhar
para fora, para a inovação e para as pessoas.