Começam nesta sexta-feira (10) as exibições em 3D digital no Recife, formato que as trombetas da indústria anunciam como o novo passo revolucionário rumo ao futuro do cinema. A estréia tem como endereço a sala 5 do multiplex Box, Shopping Guararapes, com 185 lugares, a primeira do circuito pernambucano a oferecer a tecnologia. Com ingressos mais caros – R$ 14 com R$ 3 de aluguel dos óculos especiais, R$ 17 ao todo –, as atrações exclusivas no formato objetivam o público infantil e o adulto com a animação belga Os Mosconautas no mundo da Lua (vespertino) e U2-3D (à noite).
A chegada do 3D digital é um ponto positivo para a Box Cinemas (empresa espanhola) num mercado altamente competitivo. A tradicional concorrência do Grupo Severiano Ribeiro (em joint venture com a UCI), presente em outros quatro multiplexes do Recife, ficou atrás sem uma posição ainda definida sobre exibir 3D fora do eixo Rio-São Paulo. Quem sai ganhando é o público.
Entramos em contato com a UCI para uma posição sobre investimentos da empresa em 3D em suas salas pernambucanas, mas sem resposta. Num mercado cujo moto é “matar ou ser morto”, o 3D deverá crescer. Basta ver o número de filmes que estão prometidos para o formato no próximo ano, como Transformers 2, A era do gelo 3 e Avatar, de James Cameron. Rosa Maria Vicente, do marketing do Box, acredita que a sala manterá filmes em cartaz mensalmente com produtos novos.
O sistema escolhido pelo Box é o Activo. Nele, o olho esquerdo e o direito são acionados alternadamente por meio dos óculos, que respondem a um emissor de sinais infravermelhos localizado na cabine de projeção. Os óculos são lavados em equipamento especial ao fim de cada sessão e depois reutilizados. São desenhados para quem usa seus próprios óculos durante o filme.
Na semana passada, durante o Festival do Rio, em conversa com Isaac Besso, responsável técnico pela empresa TCE – a mais conceituada do Brasil em tecnologia de cinema, responsável pela instalação do sistema no Guararapes –, ele disse que que o som da sala 5 foi reforçado com mais alto-falantes de baixa freqüência pelo fato de os arquivos de som digital 5.1 não terem compressão. Ou seja, má notícia para quem estiver nas salas vizinhas, boa notícia para quem gosta do U2.
Segundo Besso, o investimento nesse tipo de tecnologia estaciona em torno de meio milhão de reais, uma paulada para empresas de exibição que lutam contra uma queda no público freqüentador de cinema. Ironicamente, a saída é investir em mais tecnologia. Em cartaz há seis semanas em apenas 13 salas brasileiras equipadas, U2-3D já foi visto por 47 mil espectadores.
U2-3D tem sido uma espécie de fita demo para a nova tecnologia, tanto no som quanto na imagem. Diferentemente de Os mosconautas no mundo da Lua, que será exibido em 3D no Box, mas em versão normal (2D) em outras salas pernambucanas, o filme do U2 é exclusivo do formato, sem lançamento em salas tradicionais, DVD ou Blu-Ray. Ou seja, o filme só pode ser visto numa sala de cinema equipada para o processo. Isso revela fator importante para a indústria no sentido de neutralizar ações de pirataria. Uma cópia pirata do filme 3D resulta em imagens borradas sem qualquer valor.